A automação começa a avançar sobre algumas das atividades mais repetitivas da construção civil. Um exemplo desse movimento é o EG7, robô desenvolvido pela Okibo para executar tarefas de pintura, aplicação de revestimentos, acabamento de drywall e lixamento em paredes e tetos.
A máquina utiliza inteligência artificial, sensores e escaneamento 3D para reconhecer o ambiente de trabalho, criar uma representação digital do espaço e calcular como deve movimentar seu braço articulado diante de cada superfície.
Segundo a fabricante, o equipamento consegue trabalhar, em média, em uma área de aproximadamente 1.000 pés quadrados por hora, equivalente a cerca de 93 metros quadrados.
A tecnologia chama atenção porque foi projetada para trabalhar diretamente dentro de edifícios em construção, sem depender de cabos de energia durante a operação, linhas desenhadas no chão, sensores externos ou preparação específica do ambiente.
Mais do que substituir completamente uma equipe, a proposta é fazer com que o robô assuma grandes superfícies e tarefas repetitivas, enquanto profissionais continuam responsáveis por preparação, abastecimento, controle, inspeção e acabamento de áreas mais delicadas.
EG7 foi desenvolvido para pintura e acabamento interno
O EG7 é uma plataforma móvel equipada com rodas, braço industrial, sensores, computador, sistemas de bombeamento e compartimento para armazenamento do material utilizado durante a aplicação.

Seu foco está principalmente nas etapas finais da construção.
A máquina pode executar atividades como:
- pintura;
- aplicação de revestimentos;
- aplicação de massa para drywall;
- lixamento;
- acabamento de paredes;
- acabamento de tetos.
Essas atividades costumam exigir grande esforço físico e repetição de movimentos por parte dos trabalhadores.
No caso de tetos, por exemplo, pintores e profissionais de acabamento frequentemente precisam permanecer durante longos períodos com os braços elevados.
A automação permite que parte desse esforço seja transferida para a máquina.
Robô primeiro escaneia o ambiente
Antes de começar a executar o serviço, o EG7 utiliza seus sensores para observar o espaço ao redor.
O sistema identifica paredes, tetos, obstáculos e distâncias e cria uma representação digital do ambiente em tempo real.
A partir dessas informações, um programa de inteligência artificial desenvolvido pela Okibo calcula a localização do equipamento e determina os movimentos necessários para que o braço alcance as superfícies selecionadas.
Essa capacidade é particularmente importante porque canteiros de obras não são ambientes estáticos.
Materiais podem mudar de posição, equipamentos podem entrar e sair e novas estruturas podem ser instaladas durante a execução.
O robô foi desenvolvido justamente para trabalhar dentro desse tipo de ambiente em constante transformação.
Operação dispensa linhas, marcações e sensores externos
Uma das principais características do EG7 está na independência de infraestrutura externa para executar as tarefas básicas.
Muitos robôs industriais trabalham em ambientes preparados, com marcações no piso ou pontos fixos de referência.
O EG7 procura funcionar de maneira diferente.
O equipamento utiliza o próprio sistema de escaneamento para se localizar.
Segundo a fabricante, isso significa que a equipe não precisa desenhar linhas especiais ou instalar sensores adicionais no ambiente antes da operação.
A máquina também não depende obrigatoriamente de estação total ou modelo BIM para realizar suas funções básicas.
O planejamento é realizado com base nas informações obtidas pelo próprio robô durante o escaneamento do espaço.
Internet e Wi-Fi não são necessários durante a operação
Outro aspecto destacado pela fabricante é que o equipamento não precisa permanecer conectado à internet ou a uma rede Wi-Fi para continuar trabalhando.
Essa independência reduz a quantidade de infraestrutura necessária para preparar a área.
Em um canteiro no qual conectividade nem sempre está disponível de maneira uniforme, essa característica facilita a utilização da tecnologia.
Sensores, processamento, movimentação e planejamento das tarefas acontecem diretamente na própria plataforma.
Braço articulado recebe diferentes ferramentas
A versatilidade do EG7 está relacionada também à possibilidade de instalar diferentes ferramentas na extremidade do braço.
Uma configuração permite pulverizar tinta ou revestimento sobre paredes e tetos.
Outra possibilita trabalhar com materiais utilizados no acabamento de drywall.
Nesse caso, o robô pode aplicar massa sobre as placas antes das etapas seguintes de lixamento e pintura.
Quando passa da aplicação para o lixamento, a configuração do equipamento também pode ser alterada.
O sistema modular permite substituir componentes e adaptar a máquina ao tipo de atividade necessária.
Produtividade média anunciada é de aproximadamente 93 m² por hora
Um dos números que mais chama atenção está na produtividade.
A Okibo informa que o EG7 consegue executar, em média, aproximadamente 1.000 pés quadrados de superfície por hora.
Convertendo a medida, isso representa cerca de 92,9 metros quadrados por hora.
O número, entretanto, não significa que qualquer ambiente será completamente finalizado nesse período.

A própria reportagem ressalta que o desempenho pode variar conforme diversos fatores, entre eles:
- material utilizado;
- quantidade de demãos;
- geometria do ambiente;
- tipo de acabamento;
- obstáculos;
- interrupções da obra.
Ou seja, os 93 m² por hora devem ser entendidos como uma referência média informada pela fabricante.
Projeto chegou a registrar cerca de 139 m² por hora
Em um projeto realizado junto à construtora especializada Performance Contracting, a Okibo informou que seus equipamentos chegaram a pintar e lixar aproximadamente 1.500 pés quadrados por hora.
Esse volume corresponde a cerca de 139 metros quadrados por hora.
O resultado, porém, foi registrado em uma situação específica e não representa a produtividade média oficial do equipamento.
A comparação mostra como as condições de cada obra podem influenciar significativamente o desempenho.
Dimensões permitem circulação dentro de edifícios
Apesar de possuir braço industrial, o EG7 foi projetado para funcionar em ambientes internos.
A máquina possui aproximadamente 680 milímetros de largura, ou 68 centímetros.
Essa dimensão permite que ela atravesse muitas portas comuns utilizadas em edifícios.
Quando o braço está recolhido, o equipamento mede cerca de:
- 1,67 metro de altura;
- 1,17 metro de comprimento;
- aproximadamente 389 quilos.
Sua base possui quatro rodas capazes de realizar movimentos independentes, permitindo deslocamentos em diferentes direções.
Essa configuração facilita a circulação por salas, corredores e espaços relativamente limitados.
Alcance passa dos três metros
O braço articulado possui alcance máximo informado de aproximadamente 3,27 metros.
O alcance efetivo de trabalho é de cerca de 3,05 metros.
Essa capacidade permite trabalhar em muitos apartamentos, escritórios e ambientes comerciais sem necessidade de andaimes.
Dentro desse alcance, a máquina consegue atuar desde a parte inferior das paredes até o encontro com o teto.
Para ambientes com maior pé-direito, a fabricante desenvolveu outra versão.
EG7+ alcança aproximadamente 7,3 metros
A versão EG7+ foi criada para espaços com maiores alturas internas.
O equipamento pode atingir aproximadamente 24 pés, equivalente a cerca de 7,3 metros.
Esse modelo foi pensado para aplicações em construções como:
- galpões;
- centros de dados;
- grandes edifícios;
- ambientes industriais.
A ampliação do alcance permite levar a mesma lógica de automação para projetos em que paredes e tetos ficam significativamente acima da altura de ambientes convencionais.
Bateria elimina cabos durante o deslocamento
O EG7 utiliza uma bateria com capacidade indicada de 5,38 kWh.
A energia alimenta o braço, a movimentação da base, sensores, computador e demais sistemas necessários para realizar o acabamento.
Por trabalhar com bateria, a máquina não precisa permanecer conectada a um cabo durante a execução.
Isso evita que fios sejam arrastados pelo piso ou atravessem áreas utilizadas por outros profissionais.
O tempo total de autonomia pode variar conforme o tipo de tarefa e a intensidade da operação.
Reservatório acompanha a própria máquina
A plataforma também carrega o sistema utilizado para aplicação dos materiais.
A bomba está integrada à estrutura e pode operar com vazão máxima informada de seis litros por minuto e pressão de até 3.300 psi.
O reservatório possui capacidade aproximada de 70 litros.
Dessa maneira, tinta, massa ou revestimento acompanham a máquina durante seus deslocamentos dentro da área de trabalho.
Mesmo com essa automação, o reservatório continua dependendo de profissionais para atividades como abastecimento e limpeza.
Drywall, concreto e tijolos estão entre as superfícies atendidas
Segundo a Okibo, o equipamento pode atuar sobre diferentes tipos de superfície.
Entre elas estão:
- placas de drywall;
- paredes de concreto;
- superfícies de tijolos;
- tetos produzidos com esses materiais.
A máquina automatiza principalmente os movimentos de aplicação ou lixamento.
A escolha do produto continua dependendo das especificações da obra e das características de cada superfície.
Uma parede de concreto, por exemplo, pode exigir uma preparação diferente de uma placa de drywall.
Operador continua necessário
Apesar do elevado nível de autonomia, o EG7 não trabalha completamente sem pessoas.
Em obras reais, um operador qualificado continua responsável por preparar e acompanhar a máquina.
Esse profissional define tarefas, configura o equipamento, acompanha a execução e pode interromper a operação caso identifique algum problema.
Também continuam dependendo de pessoas atividades como:
- preparação dos materiais;
- abastecimento;
- limpeza;
- manutenção;
- controle de qualidade;
- inspeção do acabamento;
- atendimento de áreas específicas.
O próprio modelo de operação indica que a automação está concentrada principalmente nas grandes superfícies repetitivas.
Tecnologia reduz tarefas fisicamente desgastantes
Esse é justamente um dos principais argumentos para utilização da tecnologia.
Pintar, aplicar massa ou lixar paredes e tetos pode exigir movimentos repetitivos durante praticamente toda a jornada.
Nos tetos, o trabalhador frequentemente precisa executar atividades com os braços elevados.
Além do cansaço, essas condições podem limitar a produtividade ao longo do turno.
A proposta do EG7 é assumir parte dessas tarefas.
Enquanto a máquina atua sobre grandes superfícies, os trabalhadores podem se dedicar à supervisão, controle e áreas que exigem maior habilidade manual.
Performance Contracting relata redução do esforço físico
A Performance Contracting, uma das empresas que utilizou a tecnologia em projetos reais, afirmou que os robôs permitem concentrar as equipes em tarefas que demandam maior habilidade.
Segundo informações divulgadas pela Okibo, trabalhadores envolvidos nesses projetos também relataram redução do cansaço físico.
A automação pode ainda diminuir a necessidade de realizar determinadas atividades repetitivas em escadas ou plataformas elevadas.
Essa característica acrescenta uma dimensão de segurança e ergonomia ao uso do equipamento.
Robô já começou a trabalhar em obras nos Estados Unidos
O EG7 não está restrito a demonstrações.
Em 2025, a Okibo anunciou uma colaboração com a Performance Contracting em uma obra realizada em King of Prussia, Pensilvânia.
Os robôs foram utilizados em atividades relacionadas ao acabamento e lixamento de drywall.
Após essa experiência, as empresas planejaram utilizar a tecnologia em um centro de dados na região de Washington.
A parceria passou então a considerar projetos maiores e ambientes com extensas superfícies internas.
Parceria foi ampliada em 2026
Depois das primeiras experiências, a Performance Contracting decidiu ampliar a utilização dos equipamentos.
Em 2026, a empresa encomendou novas unidades e expandiu a parceria em escala nacional.
Além de utilizar os robôs em obras, a construtora também passou a participar do desenvolvimento e da avaliação de futuras soluções da Okibo.
O movimento indica que a tecnologia começa a entrar em uma fase de utilização mais estruturada dentro das empresas.
Nova operação prevê frota com até dez robôs
Outro avanço aconteceu em março de 2026.
A Okibo anunciou uma parceria com a Autonomous Workforce AI Solutions para ampliar sua presença no sul dos Estados Unidos.
O acordo começou com quatro máquinas.
As empresas também estabeleceram a intenção de ampliar a frota para até dez robôs até o final do ano.
Os equipamentos seriam utilizados tanto em projetos próprios quanto disponibilizados para outras construtoras da região.
A ampliação da frota mostra que a solução começa a ser tratada menos como demonstração tecnológica e mais como equipamento operacional.
Novo sistema promete acelerar ainda mais a pintura
Em fevereiro de 2026, a Okibo apresentou também o BLASTER, sistema desenvolvido para os modelos EG7 e EG7+.
A ferramenta utiliza dois bicos e consegue pulverizar uma faixa maior em cada movimento do braço.
Segundo a fabricante, os dois bicos conseguem cobrir a largura de uma placa padrão de quatro pés em apenas duas passagens.
A empresa afirma que a tecnologia pode aumentar em até cinco vezes a produtividade em atividades de pintura e aplicação de fundo.
Uma unidade EG7+ equipada com o sistema foi utilizada em uma obra comercial em Jacksonville, na Flórida.
Os resultados, entretanto, dependem das condições específicas de cada projeto.
Automação começa a sair das fábricas e entrar nos canteiros
O EG7 representa uma mudança importante na maneira como a robótica começa a ser incorporada à construção civil.
Tradicionalmente, robôs industriais operam em fábricas e ambientes altamente controlados.
Nos canteiros, a situação é diferente.
Os ambientes mudam constantemente, existem obstáculos e várias equipes trabalham simultaneamente.
Por isso, fazer um robô se movimentar e executar tarefas diretamente dentro de um edifício em construção exige um grau diferente de autonomia.
O EG7 procura resolver justamente esse problema ao combinar escaneamento, sensores, inteligência artificial e mobilidade.
Pintores e gesseiros continuam fazendo parte do processo
Apesar do avanço tecnológico, o cenário apresentado pela própria fabricante não é de eliminação imediata dos profissionais.
A máquina continua dependendo do trabalho humano para funcionar de maneira adequada.
Pintores, gesseiros e profissionais de acabamento passam a dividir determinadas atividades com o equipamento.
O robô assume principalmente movimentos repetitivos e extensas superfícies.
Já os trabalhadores permanecem responsáveis por tarefas que exigem decisão, preparação, controle, avaliação de qualidade e habilidade específica.
Essa relação indica uma transformação do trabalho, e não simplesmente o desaparecimento das funções existentes.
Automação também cria uma nova função dentro do canteiro
A chegada desses equipamentos cria ainda uma nova necessidade: profissionais capazes de operar robôs de construção.
Em 2026, a Okibo anunciou um projeto para desenvolver um centro de treinamento voltado à formação de operadores especializados.
Isso mostra que a automação também pode modificar o perfil da mão de obra.
À medida que novos equipamentos chegam aos canteiros, surgem funções relacionadas a configuração, programação, operação, manutenção e supervisão.
O trabalho passa a incorporar competências cada vez mais ligadas à tecnologia.
Produtividade e mão de obra começam a caminhar juntas
A produtividade anunciada de aproximadamente 93 metros quadrados por hora ajuda a explicar o interesse das construtoras.
Grandes áreas internas exigem horas de aplicação, preparação e lixamento.
Quando uma máquina consegue assumir parte desse volume, as equipes podem ser direcionadas para atividades mais complexas.
Essa capacidade pode se tornar especialmente relevante em obras com grandes superfícies repetitivas, como edifícios comerciais, centros de dados e projetos de maior escala.
O resultado final, entretanto, continua dependendo da integração entre máquina, operador, planejamento e organização do canteiro.
Conclusão
O avanço do robô EG7 mostra como a automação começa a ocupar tarefas cada vez mais práticas dentro da construção civil.
Com inteligência artificial, escaneamento 3D, operação sem cabos, mobilidade própria e produtividade média anunciada de aproximadamente 93 m² por hora, o equipamento consegue pintar, aplicar revestimentos e massa para drywall, além de lixar paredes e tetos.
A tecnologia já começou a ser utilizada em obras nos Estados Unidos e vem sendo incorporada por empresas especializadas em projetos de acabamento.
Mais do que substituir pintores e gesseiros, porém, o modelo apresentado até agora aponta para uma divisão diferente das tarefas.
Robôs assumem grandes superfícies e movimentos repetitivos, enquanto profissionais permanecem responsáveis por preparação, controle, inspeção, manutenção e áreas de maior complexidade.
Esse cenário mostra uma transformação mais ampla na construção.
Depois de décadas em que a automação ficou concentrada principalmente dentro das fábricas, os robôs começam a entrar efetivamente nos canteiros.
E, à medida que isso acontece, a discussão deixa de ser apenas sobre máquinas capazes de trabalhar sozinhas e passa a envolver algo mais importante: como profissionais e sistemas autônomos podem trabalhar juntos para aumentar produtividade, reduzir esforço físico e modernizar a execução das obras.

