Os Estados Unidos devem registrar uma forte expansão dos investimentos em construção nos próximos cinco anos, com os gastos do setor projetados para subir de aproximadamente US$ 2,22 trilhões em 2026 para US$ 2,85 trilhões em 2031, segundo um novo levantamento elaborado pela Merlo America em parceria com a BiltData.ai.
A projeção representa um crescimento superior a US$ 600 bilhões no período e evidencia a dimensão das oportunidades que deverão surgir para construtoras, fornecedores, distribuidores de equipamentos e empresas de locação.
O estudo, denominado National Construction Spending Trends Report, foi desenvolvido justamente para ajudar empresas do setor a identificar onde a demanda tende a crescer e utilizar essas informações em decisões relacionadas a investimentos em frotas, estoques, expansão territorial, serviços e posicionamento comercial.
Além de prever a evolução geral do mercado, o relatório revela uma forte concentração geográfica dos investimentos. Apenas cinco estados — Califórnia, Texas, Flórida, Nova York e Nova Jersey — deverão responder por aproximadamente 42% dos gastos com construção nos Estados Unidos até 2031.
Ao mesmo tempo, tecnologias como inteligência artificial, computação em nuvem e infraestrutura digital deverão acelerar a construção de data centers, criando novos polos de demanda e ampliando a necessidade de equipamentos, infraestrutura e serviços ligados à construção.
Mercado americano pode adicionar mais de US$ 600 bilhões em cinco anos
A projeção apresentada pela Merlo America e pela BiltData.ai mostra a dimensão do crescimento esperado para o setor.
Em 2026, os gastos com construção nos Estados Unidos são estimados em aproximadamente US$ 2,22 trilhões.
Para 2031, esse valor deverá chegar a cerca de US$ 2,85 trilhões.
Na prática, significa acrescentar mais de US$ 600 bilhões em atividade construtiva ao mercado americano em apenas cinco anos.
Segundo o relatório, esse crescimento seria aproximadamente equivalente a adicionar à economia americana outro mercado de construção do tamanho do Texas até o final da década.
A comparação ajuda a dimensionar o volume de novos investimentos que poderão ser realizados em diferentes segmentos.
Relatório busca antecipar onde a demanda surgirá
Mais do que apresentar uma previsão geral de crescimento, o estudo pretende ajudar empresas a compreender onde esse crescimento deverá ocorrer.
Esse aspecto é particularmente importante para setores ligados a equipamentos e serviços.
Construtoras precisam decidir onde concentrar equipes e recursos.
Distribuidores precisam definir onde posicionar equipamentos e peças.
Empresas de locação precisam planejar suas frotas.
Fabricantes precisam avaliar capacidade produtiva, logística e cobertura comercial.
Nesse cenário, informações sobre a localização futura da demanda podem influenciar diretamente as estratégias de investimento das empresas.
Cole Renken, gerente-geral da Merlo America, destacou que as decisões tomadas atualmente pelo setor terão impactos importantes ao longo dos próximos cinco anos.
Segundo ele, compreender antecipadamente para onde a demanda está caminhando oferece uma vantagem para empresas que precisam decidir sobre expansão, equipamentos e estrutura de serviços.
Cinco estados concentrarão 42% dos investimentos
Apesar do crescimento generalizado previsto para o setor, a expansão não acontecerá de forma uniforme.
O relatório estima que Califórnia, Texas, Flórida, Nova York e Nova Jersey concentrarão aproximadamente 42% de todos os gastos com construção nos Estados Unidos até 2031.
A concentração mostra a relevância econômica dessas regiões para empresas que fornecem materiais, máquinas e serviços.
Além dos estados, as principais áreas metropolitanas terão papel decisivo.
As dez maiores regiões metropolitanas do país deverão representar, juntas, mais de um terço de todos os gastos com construção.
Esse cenário cria mercados extremamente concentrados, nos quais grandes volumes de projetos poderão gerar demanda contínua por equipamentos, profissionais e infraestrutura.
Nova York deverá liderar entre as regiões metropolitanas
A região metropolitana de Nova York-Newark-Jersey City aparece na liderança das projeções.
Segundo o estudo, os gastos com construção nessa área poderão chegar a aproximadamente US$ 230 bilhões em 2031.
Esse montante representaria cerca de 8% de todo o investimento em construção dos Estados Unidos.
Na sequência aparecem alguns dos maiores mercados urbanos do país.
Entre as cinco principais regiões estão:
- Nova York-Newark-Jersey City;
- Los Angeles;
- Chicago;
- Dallas-Fort Worth;
- Houston.
A presença de diferentes regiões demonstra que a atividade continuará distribuída entre importantes centros econômicos americanos, embora exista forte concentração nos principais polos urbanos.
Dados podem orientar decisões sobre equipamentos e expansão
Para empresas que atuam diretamente com equipamentos de construção, identificar antecipadamente esses mercados possui grande importância.
Uma empresa de locação, por exemplo, pode utilizar projeções de demanda para decidir onde ampliar uma filial ou adicionar máquinas à frota.
Distribuidores podem utilizar as informações para organizar estoques e ampliar equipes de assistência técnica.
Construtoras também podem observar tendências regionais para avaliar oportunidades futuras.
O objetivo do relatório é justamente permitir que essas decisões sejam tomadas antes que a demanda esteja totalmente consolidada.
Em vez de reagir ao mercado depois que a expansão já ocorreu, empresas podem tentar posicionar recursos antecipadamente.
Inteligência artificial começa a transformar a própria demanda por construção
Um dos aspectos mais relevantes do estudo está relacionado ao impacto da inteligência artificial sobre o setor.
A rápida expansão da IA exige enorme capacidade computacional.
Essa capacidade depende de data centers capazes de armazenar, processar e transmitir grandes volumes de informações.
Por isso, o crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e da infraestrutura digital está criando uma nova onda de investimentos em instalações físicas.
O resultado aparece diretamente na construção.
Mais data centers significam:
- novos terrenos preparados;
- novas edificações;
- infraestrutura elétrica;
- sistemas de suporte;
- equipamentos;
- redes;
- instalações especializadas.
Ou seja, uma tecnologia essencialmente digital acaba gerando uma demanda considerável por construção física.
Data centers devem se concentrar em poucos mercados
Segundo o relatório, os 12 principais mercados metropolitanos deverão concentrar quase 73% de toda a capacidade de data centers dos Estados Unidos até 2031.
Essa concentração cria polos específicos de expansão.
Mercados como:
- Dallas-Fort Worth;
- Washington, D.C.;
- Chicago;
- Phoenix;
deverão permanecer entre as regiões americanas mais ativas em projetos impulsionados pela tecnologia.
Esses mercados já possuem papel relevante na infraestrutura digital e deverão continuar recebendo investimentos relacionados a data centers e sistemas associados.
IA gera novas oportunidades para construtoras e fornecedores
Nick Mavrick, CEO da BiltData.ai, destaca que a inteligência artificial está acelerando os investimentos em data centers e infraestrutura.
Para o setor da construção, entretanto, compreender essa transformação exige ir além da tendência tecnológica.
A principal questão passa a ser identificar onde os investimentos efetivamente serão realizados.
É essa localização que determinará onde serão necessários equipamentos, profissionais, materiais e serviços.
O relatório procura transformar dados macroeconômicos em informações que empresas possam utilizar de maneira prática.
Para construtoras, distribuidores e locadoras, saber onde novos polos estão se formando pode significar antecipar investimentos e preparar operações antes da chegada da demanda.
Construção industrial deve movimentar US$ 684 bilhões
O estudo também divide a projeção de 2031 entre diferentes segmentos da construção americana.
A construção industrial, que inclui projetos de manufatura e desenvolvimento de data centers, deverá alcançar aproximadamente US$ 684 bilhões em gastos.
Essa projeção reforça o peso que novas fábricas e infraestrutura digital deverão assumir dentro do mercado.
A expansão industrial americana vem criando demanda por empreendimentos que exigem elevado volume de equipamentos, instalações e serviços especializados.
Residencial continuará sendo o maior segmento
Apesar do crescimento das instalações industriais e dos data centers, o setor residencial continuará concentrando a maior parcela dos gastos.
Até 2031, o relatório projeta aproximadamente: US$ 1,026 trilhão em construção residencial.
Esse volume mantém a habitação como o principal segmento individual do mercado de construção americano.
Logo depois aparecem outros grandes setores.
A construção comercial deverá movimentar aproximadamente US$ 741 bilhões.
Já a construção industrial deverá alcançar US$ 684 bilhões.
Infraestrutura poderá receber quase US$ 400 bilhões
Outro componente importante está relacionado aos investimentos em infraestrutura.
O relatório estima aproximadamente US$ 399 bilhões em gastos com infraestrutura até 2031.
Esse segmento envolve obras fundamentais para sustentar a própria expansão econômica.
À medida que regiões metropolitanas recebem novos empreendimentos residenciais, comerciais, industriais e tecnológicos, cresce também a necessidade de estruturas capazes de atender esses projetos.
Por isso, diferentes categorias de construção estão interligadas.
Novas atividades industriais podem estimular investimentos em infraestrutura.
Novos data centers exigem sistemas e serviços específicos.
O crescimento urbano também gera demanda por novos empreendimentos.
Distribuição projetada dos gastos em 2031
Considerando os diferentes segmentos analisados, o relatório projeta para 2031 aproximadamente:
- US$ 1,026 trilhão em construção residencial;
- US$ 741 bilhões em construção comercial;
- US$ 684 bilhões em construção industrial, incluindo manufatura e data centers;
- US$ 399 bilhões em infraestrutura.
Somados, esses investimentos ajudam a explicar como o mercado poderá alcançar aproximadamente US$ 2,85 trilhões em gastos anuais com construção.
Regiões rurais também continuam oferecendo oportunidades
Embora as grandes áreas metropolitanas concentrem grande parte dos investimentos, o estudo chama atenção também para oportunidades existentes fora dos principais centros urbanos.
A análise avaliou 179 áreas econômicas definidas pelo Bureau of Economic Analysis (BEA).
Dentro desse universo, os 40 principais mercados agrícolas respondem por mais de 70% do emprego ligado à agricultura.
Esse dado possui importância para a indústria de equipamentos.
Além da construção urbana e industrial, mercados agrícolas continuam demandando máquinas e serviços relacionados à infraestrutura e às atividades econômicas rurais.
Assim, as oportunidades não estarão limitadas apenas às grandes metrópoles.
Mercado de equipamentos pode acompanhar expansão da construção
O crescimento previsto também possui impactos diretos para fabricantes, concessionários e empresas de locação.
Se a construção aumenta, também tende a aumentar a necessidade de:
- máquinas;
- equipamentos de movimentação;
- manutenção;
- peças;
- serviços;
- suporte técnico.
Por isso, compreender antecipadamente onde os projetos estarão concentrados pode ajudar essas empresas a organizar suas operações.
O relatório foi desenvolvido justamente com essa perspectiva.
A Merlo America atua no mercado de manipuladores telescópicos, um dos segmentos diretamente relacionados à movimentação e apoio de materiais em obras.
Planejamento substitui decisões exclusivamente reativas
Um dos conceitos centrais apresentados pela Merlo é a necessidade de mudar a maneira como empresas utilizam informações de mercado.
Em mercados altamente dinâmicos, decisões tomadas apenas depois que a demanda já apareceu podem significar perda de oportunidades.
Adicionar equipamentos a uma frota, por exemplo, exige investimento e planejamento.
Abrir ou ampliar uma filial também demanda tempo.
Contratar e qualificar equipes de manutenção não acontece imediatamente.
Dessa forma, previsões de mercado podem ajudar empresas a se antecipar.
A proposta é passar de uma postura predominantemente reativa para uma estratégia de planejamento.
Informação de mercado ganha peso nas decisões empresariais
O relatório também evidencia uma transformação importante no próprio mercado da construção.
Dados econômicos e projeções começam a ter influência crescente sobre decisões tradicionalmente baseadas apenas em experiência operacional.
O National Construction Spending Trends Report combina diferentes grupos de informações.
Entre eles estão:
- projeções de gastos com construção;
- tendências econômicas metropolitanas;
- crescimento previsto do emprego;
- estimativas sobre capacidade de data centers;
- indicadores econômicos relacionados à agricultura.
Ao combinar esses dados, o objetivo é identificar onde a demanda poderá se desenvolver nos próximos anos.
Crescimento não acontecerá de forma uniforme
Um dos principais alertas apresentados pelo relatório é que o aumento dos investimentos não será igual em todo o território americano.
Algumas regiões deverão crescer muito mais rapidamente.
Outras poderão apresentar oportunidades ligadas a segmentos específicos.
Essa diferença exige uma análise mais detalhada por parte das empresas.
Uma projeção nacional de crescimento é importante, mas não indica necessariamente onde posicionar equipamentos ou equipes.
Por isso, a localização geográfica dos investimentos assume papel fundamental.
Data centers se consolidam como novo motor para a construção
Entre as tendências observadas, a expansão dos data centers aparece como um dos elementos mais relevantes.
O avanço da inteligência artificial e da computação em nuvem está aumentando a necessidade de infraestrutura digital.
Esses investimentos geram um ciclo que ultrapassa o setor de tecnologia.
Antes de um data center entrar em operação, existe um grande empreendimento físico a ser projetado e construído.
Isso envolve preparação do terreno, estruturas, instalações, equipamentos e diversas atividades complementares.
Por esse motivo, o crescimento tecnológico deverá continuar produzindo efeitos importantes sobre o mercado da construção americana.
US$ 2,85 trilhões mostram dimensão das oportunidades
A previsão de alcançar US$ 2,85 trilhões em gastos com construção até 2031 evidencia a dimensão do mercado americano.
O aumento superior a US$ 600 bilhões em apenas cinco anos cria oportunidades para diferentes integrantes da cadeia produtiva.
Construtoras poderão encontrar novos projetos.
Fabricantes poderão enfrentar maior demanda por equipamentos.
Distribuidores poderão ampliar suas operações.
Empresas de locação poderão precisar reposicionar e ampliar suas frotas.
Mas o relatório deixa claro que aproveitar essa expansão dependerá de compreender onde ela ocorrerá.
Conclusão
O relatório elaborado pela Merlo America e pela BiltData.ai aponta para uma forte expansão da construção nos Estados Unidos ao longo dos próximos cinco anos.
Os gastos deverão passar de aproximadamente US$ 2,22 trilhões em 2026 para US$ 2,85 trilhões em 2031, representando um crescimento superior a US$ 600 bilhões.
Ao mesmo tempo, essa expansão estará fortemente concentrada.
Califórnia, Texas, Flórida, Nova York e Nova Jersey deverão responder por aproximadamente 42% dos gastos, enquanto as principais áreas metropolitanas continuarão concentrando uma parcela significativa dos investimentos.
Outro fator decisivo será a expansão da infraestrutura digital.
Impulsionados pela inteligência artificial, computação em nuvem e crescimento dos data centers, novos projetos deverão criar demanda por terrenos, infraestrutura, equipamentos e serviços de construção.
Nesse cenário, a principal mensagem do relatório não está apenas no tamanho do crescimento previsto.
Está na necessidade de antecipar onde esse crescimento acontecerá.
Para construtoras, fabricantes, concessionários e empresas de locação, informações sobre demanda futura poderão tornar-se cada vez mais importantes para definir investimentos, posicionar equipamentos e estruturar operações.
Com um mercado projetado em US$ 2,85 trilhões até 2031, as empresas que conseguirem transformar dados de mercado em planejamento estarão melhor posicionadas para aproveitar uma das maiores ondas de investimento previstas para a construção americana nos próximos anos.

