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Brasil

Construção industrializada ganha força no Brasil e vê na habitação e na reforma tributária os próximos vetores de expansão

21/09/2026Nenhum comentário13 Mins Read
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A construção industrializada brasileira avançou em 2026 e começa a ocupar uma parcela maior do mercado nacional. Dados do Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC) mostram que 33,6% das empresas de construção civil já utilizam sistemas construtivos industrializados no Brasil, percentual superior aos 26,4% registrados em 2025.

O próprio índice também evoluiu.

O IGIC passou de 14,8 para 15,7 pontos, sinalizando uma ampliação da presença de processos, componentes e sistemas industrializados dentro das empresas do setor.

Apesar do avanço, representantes da cadeia avaliam que a construção brasileira ainda está distante de utilizar todo o potencial disponível.

E duas frentes aparecem como especialmente importantes para acelerar essa transformação: a habitação residencial em maior escala e a mudança do ambiente tributário brasileiro.

A expectativa é de que a combinação entre maior competitividade fiscal, falta de mão de obra especializada, exigências de sustentabilidade e necessidade de aumentar produtividade amplie o espaço para soluções como estruturas metálicas, steel frame, sistemas pré-fabricados de concreto, drywall, painéis cimentícios e fachadas industrializadas.

Industrialização avança de 26,4% para 33,6% das empresas

O crescimento registrado entre 2025 e 2026 mostra que a industrialização começa a ultrapassar a condição de tendência e ganhar presença efetiva dentro das empresas.

Em apenas um ano, a participação das companhias que declararam utilizar sistemas construtivos industrializados passou de 26,4% para 33,6%.

O dado integra o Índice Geral de Industrialização da Construção, elaborado a partir da Sondagem da Construção da Fundação Getulio Vargas.

Os números foram divulgados durante um encontro virtual de apresentação da segunda edição da Modern Construction Show, prevista para ocorrer entre 29 de setembro e 1º de outubro, em São Paulo.

O evento deverá reunir empresas, entidades e profissionais ligados à transformação tecnológica e industrial da construção.

IGIC também registra crescimento

Além da ampliação no número de empresas que utilizam sistemas industrializados, o indicador geral também apresentou evolução.

O IGIC passou de 14,8 para 15,7 pontos.

Embora o avanço seja considerado positivo, representantes do setor entendem que existe espaço para um crescimento muito maior.

A construção brasileira ainda possui forte participação de processos executados diretamente no canteiro, enquanto diversos segmentos industriais já trabalham com produção altamente organizada, padronizada e planejada.

A industrialização procura justamente reduzir essa distância.

Em vez de concentrar todas as atividades na obra, parte dos componentes passa a ser produzida antecipadamente, permitindo maior controle sobre dimensões, materiais, processos e sequência de execução.

Reforma tributária pode reduzir antiga desvantagem dos sistemas industrializados

Um dos principais obstáculos apontados pelo setor ao longo dos anos esteve relacionado à tributação.

Segundo representantes da indústria, os sistemas industrializados enfrentavam uma diferença relevante em relação à construção convencional.

Enquanto componentes industrializados estavam submetidos ao ICMS, associado à circulação de mercadorias, a construção convencional tradicionalmente operava sob a lógica do ISS, relacionado à prestação de serviços.

Na prática, essa diferença poderia tornar determinadas soluções industrializadas comparativamente mais caras.

Com a reforma tributária, a expectativa apresentada pelo setor é de redução dessa assimetria.

O presidente executivo da Associação Brasileira da Construção Metálica (ABCEM), Ulysses B. Nunes, avalia que os dois sistemas poderão atuar em condições tributárias mais semelhantes.

Essa mudança pode ter impacto direto sobre a competitividade.

Competitividade deixa de depender apenas do preço inicial

Um dos desafios históricos da construção industrializada está justamente na comparação direta de custos.

Quando um sistema produzido industrialmente chega ao mercado com uma carga tributária diferente daquela aplicada ao processo convencional, a análise pode favorecer artificialmente uma solução em relação à outra.

A redução dessa diferença tende a tornar a comparação mais equilibrada.

Nesse cenário, outros atributos dos sistemas industrializados podem ganhar maior peso nas decisões.

Entre eles estão:

  • produtividade;
  • velocidade de execução;
  • controle de qualidade;
  • padronização;
  • previsibilidade;
  • redução de desperdícios;
  • menor dependência de atividades artesanais no canteiro.

Assim, a discussão tende a deixar de ser apenas sobre o valor inicial do componente e passar a considerar de maneira mais ampla o desempenho do processo construtivo.

Setor vê fundamentos para uma nova etapa de crescimento

Para a ABCEM, a reforma tributária não atua isoladamente.

A entidade também considera que uma eventual redução das taxas de juros e a continuidade dos investimentos em infraestrutura podem contribuir para criar um ambiente mais favorável à industrialização.

A combinação desses fatores pode aumentar a demanda por estruturas e sistemas produzidos industrialmente.

O raciocínio é que, quando existe volume de obras suficiente, a indústria consegue utilizar melhor sua capacidade produtiva.

E escala é um elemento central para a competitividade.

Quanto maior a produção, maior tende a ser a possibilidade de organizar linhas, padronizar processos e distribuir custos industriais ao longo de um número maior de projetos.

Habitação aparece como a grande fronteira

Se alguns segmentos já adotam sistemas industrializados de maneira mais consolidada, a construção residencial ainda aparece como um mercado pouco explorado.

Setores como papel e celulose, petróleo e centros de distribuição já utilizam soluções industrializadas em escala considerável.

Nesses mercados, estruturas metálicas e sistemas pré-fabricados possuem presença mais estabelecida.

A habitação, por outro lado, ainda apresenta baixa participação.

É justamente aí que representantes do setor enxergam uma das maiores oportunidades de crescimento.

Grandes edifícios residenciais entram no radar

Ulysses B. Nunes, da ABCEM, aponta a construção residencial de grandes edifícios como uma das principais oportunidades para estruturas metálicas e sistemas mistos.

O mercado possui dimensão suficiente para ampliar significativamente a utilização de soluções industrializadas caso incorporadoras e construtoras passem a adotá-las em maior escala.

A lógica é particularmente interessante porque empreendimentos residenciais costumam apresentar grande repetição de componentes.

Pavimentos semelhantes.

Ambientes com dimensões repetidas.

Fachadas padronizadas.

Sistemas construtivos replicados dezenas ou centenas de vezes.

Esse tipo de repetibilidade cria condições favoráveis para industrialização.

Pré-fabricados de concreto também enxergam habitação como próxima etapa

A avaliação é compartilhada por representantes da indústria de concreto pré-fabricado.

Fernando Canova, coordenador da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC), considera os edifícios altos e a construção habitacional como fronteiras relevantes para expansão do setor.

Segundo ele, a presença de estruturas pré-fabricadas de concreto na habitação ainda representa uma parcela relativamente pequena.

Isso significa que existe um mercado potencial significativo a ser desenvolvido.

À medida que incorporadoras buscam maior produtividade e previsibilidade, soluções que permitam transferir determinadas etapas do canteiro para ambientes industriais podem ganhar espaço.

Indústria de pré-fabricados já opera acima de 70% de ocupação

Outro indicador apresentado pelo setor é o nível de utilização da capacidade industrial.

Segundo Canova, a indústria de pré-fabricados de concreto está operando com taxa de ocupação superior a 70%.

O número demonstra que existe demanda relevante pelos sistemas.

Também mostra que a industrialização já possui presença consolidada em determinados tipos de empreendimento.

O desafio passa a ser levar essa experiência para mercados nos quais a participação ainda é menor.

A habitação aparece justamente como uma dessas oportunidades.

Industrialização não significa um único sistema construtivo

Um ponto importante é que industrialização não está associada a apenas uma tecnologia.

O mercado brasileiro possui diferentes soluções capazes de elevar o nível de industrialização das obras.

Entre elas estão:

  • drywall;
  • painéis cimentícios;
  • estruturas em aço;
  • steel frame;
  • estruturas pré-fabricadas de concreto;
  • fachadas pré-fabricadas.

Essas tecnologias podem ser utilizadas individualmente ou integradas dentro de um mesmo empreendimento.

Uma edificação pode, por exemplo, utilizar determinado sistema estrutural e combinar diferentes soluções industrializadas para fechamentos, divisórias e fachadas.

A industrialização acontece justamente quando o empreendimento passa a ser pensado como um conjunto coordenado de sistemas.

Steel frame integra movimento de modernização

Entre as soluções citadas está o steel frame, sistema que representa de maneira clara a mudança de lógica proposta pela construção industrializada.

Imagem: Estrutura mista – aço leve e aço pesado – aplicado no empreendimento.

Em vez de depender exclusivamente de atividades executadas artesanalmente no local, componentes estruturais podem ser produzidos de maneira planejada e padronizada antes da montagem.

Essa lógica amplia a possibilidade de controle sobre o processo.

Dimensões são definidas previamente. Componentes podem ser preparados antecipadamente.

A sequência de montagem pode ser planejada e os materiais chegam ao local de acordo com uma programação.

O resultado é uma construção cada vez mais próxima de um processo de montagem industrial.

Produzir antes de chegar ao canteiro muda a lógica da obra

A grande transformação provocada pela industrialização está justamente nessa antecipação.

Na construção convencional, uma parcela significativa das decisões e atividades acontece diretamente no canteiro.

No modelo industrializado, muitas dessas decisões precisam ocorrer antes.

Projeto, dimensionamento, compatibilização, fabricação e logística passam a assumir importância maior.

Isso altera profundamente o perfil da gestão.

Quanto maior o nível de industrialização, maior a necessidade de planejamento antecipado.

Improvisações se tornam menos desejáveis.

Decisões tardias podem interferir na fabricação.

Por outro lado, quando o processo é corretamente planejado, o canteiro tende a se tornar mais organizado e previsível.

Escassez de mão de obra acelera mudança

Além dos fatores tributários e econômicos, existe uma pressão estrutural empurrando o mercado em direção à industrialização: a falta de mão de obra especializada.

Construtoras e incorporadoras enfrentam dificuldades crescentes para formar determinadas equipes.

Esse problema aumenta o interesse por sistemas que reduzam atividades intensivas em mão de obra dentro dos canteiros.

Industrialização não significa eliminar o trabalho humano.

Ela muda o tipo de trabalho realizado.

Em vez de uma grande quantidade de atividades artesanais, cresce a demanda por profissionais especializados em:

  • produção;
  • montagem;
  • leitura de projetos;
  • controle de qualidade;
  • logística;
  • operação de equipamentos;
  • gestão de processos.

Mão de obra muda de perfil

Esse movimento pode alterar gradualmente a própria carreira dos profissionais da construção.

Quanto mais industrializado se torna o setor, maior tende a ser a importância de precisão e especialização.

O trabalhador passa a atuar dentro de processos mais padronizados.

O conhecimento do sistema construtivo ganha importância.

A montagem precisa seguir procedimentos definidos.

O controle de qualidade começa antes da execução final.

Esse modelo aproxima a construção de outras atividades industriais.

Sustentabilidade também pressiona transformação

As exigências crescentes relacionadas à sustentabilidade aparecem como outro catalisador do processo.

Sistemas industrializados permitem organizar previamente materiais, quantitativos e processos.

Esse planejamento pode facilitar o controle sobre aquilo que entra e sai da produção.

Redução de desperdícios e melhor aproveitamento de materiais tornam-se componentes importantes dessa lógica.

À medida que empresas passam a ser mais cobradas por eficiência ambiental, sistemas capazes de oferecer maior controle sobre recursos tendem a ganhar relevância.

Movimento é considerado irreversível

Para Ulysses Nunes, a transformação em direção à industrialização é um movimento irreversível, mesmo que o ritmo atual ainda seja inferior ao desejado pelo setor.

Construtoras e incorporadoras começam a perceber as mudanças.

Isso ocorre porque diferentes pressões convergem na mesma direção.

Falta mão de obra.

Existe necessidade de aumentar produtividade.

A sustentabilidade ganha peso.

Cronogramas exigem maior previsibilidade.

Custos precisam ser controlados.

Ao mesmo tempo, tecnologias e sistemas construtivos amadurecem.

A soma desses fatores cria um ambiente cada vez mais favorável à mudança.

Habitação pode ser decisiva para gerar escala

A entrada mais forte da construção industrializada no mercado residencial possui um significado particular.

Habitação trabalha com grande volume.

Quando um sistema é utilizado em dezenas ou centenas de unidades, a repetição cria condições muito diferentes das encontradas em projetos isolados.

Componentes podem ser padronizados.

Processos podem ser repetidos.

Equipes podem ser especializadas.

A produção pode ser programada.

Essa escala é justamente um dos elementos necessários para aumentar a competitividade dos sistemas industrializados.

Por isso, o avanço na habitação pode funcionar como um acelerador para toda a cadeia.

Industrialização pode transformar também fornecedores

Se a habitação começar a utilizar mais sistemas industrializados, os impactos não estarão restritos às construtoras.

Toda a cadeia precisa se adaptar.

Fabricantes precisam aumentar capacidade produtiva.

Projetistas precisam conhecer melhor os sistemas.

Distribuidores precisam organizar novos fluxos de materiais.

Montadores precisam ser capacitados.

Empresas de logística passam a ter participação ainda mais relevante.

Ou seja, industrializar a construção significa industrializar uma parte maior da própria cadeia.

Projeto se torna ainda mais importante

Quanto mais industrializado for o empreendimento, maior será a importância do projeto.

Componentes produzidos antecipadamente precisam chegar ao local com dimensões e especificações corretas.

Isso exige decisões tomadas antes do início da montagem.

Alterações tardias podem ter impactos maiores.

Por isso, sistemas industrializados estimulam um processo no qual projeto, produção e execução precisam funcionar de forma integrada.

Esse modelo reduz a separação tradicional entre quem projeta e quem constrói.

Modern Construction Show deverá mostrar evolução do mercado

A discussão sobre esse avanço estará no centro da segunda edição da Modern Construction Show, marcada para ocorrer entre 29 de setembro e 1º de outubro, em São Paulo.

O evento deverá funcionar como uma vitrine das transformações observadas no mercado nacional.

Produtividade, tecnologia e novos sistemas construtivos estarão entre os principais temas.

A realização do encontro ocorre justamente em um momento em que os números mostram avanço da industrialização.

Isso permite ao setor discutir não apenas tecnologias futuras, mas soluções que já começam a ganhar presença efetiva dentro das empresas.

Mercado entra em uma etapa de amadurecimento

Os dados do IGIC sugerem que a construção industrializada brasileira começa a entrar em uma fase diferente.

A discussão deixa gradualmente de ser apenas sobre convencer o mercado de que a industrialização é possível.

Agora, a questão passa a ser como aumentar sua escala.

O crescimento de 26,4% para 33,6% das empresas utilizando sistemas industrializados mostra que existe adoção.

Mas o potencial indicado por entidades do setor é significativamente maior.

A próxima etapa depende justamente de transformar experiências isoladas em processos reproduzidos em maior volume.

Reforma tributária pode alterar comparação entre sistemas

Nesse processo, o ambiente tributário pode desempenhar um papel decisivo.

Se sistemas industrializados e métodos convencionais passarem a competir sob condições fiscais mais equivalentes, construtoras poderão avaliar suas alternativas com maior peso sobre critérios técnicos e produtivos.

Velocidade.

Qualidade.

Previsibilidade.

Mão de obra.

Desperdício.

Logística.

Escala.

Esses elementos poderão assumir participação maior na tomada de decisão.

Para a indústria, essa mudança pode representar a retirada de uma barreira que há anos reduz sua competitividade.

Conclusão

A construção industrializada brasileira chega ao segundo semestre de 2026 mostrando sinais concretos de expansão.

O percentual de empresas que utilizam sistemas industrializados avançou de 26,4% em 2025 para 33,6% em 2026, enquanto o Índice Geral de Industrialização da Construção passou de 14,8 para 15,7 pontos.

Os números demonstram crescimento, mas também evidenciam que existe um mercado relevante ainda a ser desenvolvido.

A habitação residencial surge como uma das principais fronteiras dessa próxima etapa.

Enquanto setores industriais e logísticos já utilizam estruturas metálicas e componentes pré-fabricados em maior escala, grandes edifícios residenciais e empreendimentos habitacionais ainda apresentam espaço significativo para crescimento.

Ao mesmo tempo, a reforma tributária pode reduzir uma antiga assimetria entre sistemas industrializados e construção convencional, ampliando a possibilidade de competição em condições fiscais mais equilibradas.

Somam-se a isso a escassez de mão de obra especializada, a necessidade de maior produtividade e as exigências crescentes de sustentabilidade.

Nesse ambiente, soluções como steel frame, estruturas metálicas, pré-fabricados de concreto, drywall, painéis cimentícios e fachadas industrializadas deixam de representar apenas alternativas tecnológicas.

Elas passam a fazer parte de uma transformação mais ampla da maneira como o Brasil projeta, produz e executa suas edificações.

O próximo salto da construção industrializada dependerá justamente da capacidade do setor de levar essa lógica para onde existe maior escala.

E, segundo as entidades que acompanham esse movimento, a habitação pode ser a principal fronteira dessa transformação.

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