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Home»Em alta»Custos dos insumos da construção nos EUA avançam 8,9% em um ano e pressionam margens das empresas
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Custos dos insumos da construção nos EUA avançam 8,9% em um ano e pressionam margens das empresas

12/09/2026Nenhum comentário12 Mins Read
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Os custos dos insumos utilizados pela construção civil nos Estados Unidos voltaram a acelerar e já acumulam uma alta de 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado, ampliando a pressão financeira sobre construtoras e incorporadoras em um momento marcado por aumentos generalizados de materiais, energia e produtos metálicos.

Somente em agosto, os preços dos insumos da construção avançaram 1,2% em relação ao mês anterior, segundo análise da Associated Builders and Contractors (ABC) baseada nos dados mais recentes do Índice de Preços ao Produtor do Bureau of Labor Statistics dos Estados Unidos.

A mesma alta mensal de 1,2% foi registrada nos insumos destinados especificamente à construção não residencial.

Na comparação anual, os preços gerais dos insumos estão 8,9% mais altos, enquanto aqueles utilizados na construção não residencial apresentam elevação de 8,8%.

Os números indicam que a pressão de custos continua espalhada por diferentes segmentos da cadeia produtiva e pode afetar a rentabilidade das empresas nos próximos meses.

Preços voltaram a acelerar em agosto

O avanço de 1,2% registrado em agosto demonstra que o mercado voltou a enfrentar uma elevação significativa nos custos de materiais.

O aumento não ficou restrito a um único produto.

Segundo a ABC, diversos materiais utilizados pela construção apresentaram reajustes, criando um cenário em que empresas precisam lidar simultaneamente com aumentos em insumos metálicos, madeira, componentes elétricos e energia.

Esse comportamento amplia a dificuldade de planejamento.

Em uma obra, os materiais representam uma parcela relevante do orçamento e, quando diferentes categorias sobem ao mesmo tempo, a capacidade de compensar o aumento em um item com a estabilidade de outro fica reduzida.

Por isso, a evolução dos preços dos insumos passa a ter impacto direto sobre orçamento, contratação, margem e tomada de decisão.

Construção não residencial também registra alta de 8,8%

O mercado não residencial enfrenta praticamente a mesma pressão observada no índice geral.

Os preços dos insumos destinados ao segmento ficaram 8,8% acima do nível registrado há um ano.

Essa categoria inclui materiais utilizados em empreendimentos comerciais, industriais, institucionais e outros projetos que normalmente envolvem grande volume de aço, sistemas elétricos, equipamentos e diferentes componentes especializados.

Em empreendimentos de maior porte, pequenas variações percentuais podem representar impactos financeiros relevantes devido ao volume total de materiais empregados.

Por isso, a continuidade dos reajustes passa a ser uma preocupação crescente para empresas que trabalham com contratos de longo prazo.

Ferro, aço, madeira e componentes elétricos apresentam pressão

O economista-chefe da ABC, Anirban Basu, destacou que os aumentos observados em agosto foram disseminados entre os materiais.

De acordo com a entidade, preços de diferentes categorias já acumulam altas superiores a 10% em relação ao ano anterior.

Entre os produtos mencionados estão:

  • ferro e aço;
  • madeira serrada de coníferas;
  • equipamentos de distribuição elétrica;
  • fios e cabos de cobre;
  • diferentes produtos metálicos derivados.

A presença de materiais tão distintos na lista mostra que a inflação da construção não está concentrada em apenas uma cadeia produtiva.

Ela afeta desde os elementos estruturais até sistemas utilizados nas instalações das edificações.

Aço registra uma das maiores elevações

Os dados analisados pela Associated General Contractors of America (AGC) mostram que os produtos siderúrgicos estão entre aqueles que apresentaram maior pressão.

Os produtos de usinas siderúrgicas registraram uma alta de aproximadamente 23,4% entre agosto de 2025 e agosto de 2026.

O percentual é especialmente relevante para a construção porque o aço está presente em diferentes etapas das obras.

Estruturas, perfis, armaduras, chapas, componentes metálicos e diferentes sistemas industrializados dependem direta ou indiretamente desse material.

Quando o preço do aço sobe de forma significativa, os efeitos podem se espalhar por diferentes produtos da cadeia.

Alumínio sobe mais de 27%

Outro aumento expressivo ocorreu no mercado de alumínio.

Segundo a análise da AGC, os produtos laminados e perfis de alumínio registraram alta de aproximadamente 27,3% na comparação anual.

O material possui ampla utilização na construção, especialmente em fachadas, esquadrias, sistemas de fechamento e diferentes componentes arquitetônicos.

Uma elevação dessa magnitude aumenta a pressão sobre fornecedores e empresas responsáveis por empreendimentos que utilizam grandes quantidades do material.

Cobre também apresenta forte valorização

O cobre e as ligas de cobre também figuram entre os materiais que mais avançaram.

Os preços de produtos de cobre e latão utilizados pela indústria aumentaram aproximadamente 20,9% em 12 meses.

A elevação tem relevância direta para instalações elétricas e diferentes sistemas prediais.

Além do cobre propriamente dito, a ABC destacou que fios e cabos de cobre também estão entre as categorias que já apresentam aumentos superiores a 10% em comparação com o ano anterior.

Isso significa que projetos intensivos em infraestrutura elétrica podem enfrentar pressão adicional de custos.

Diesel dispara 77,8% em um ano

Um dos aumentos mais expressivos apareceu no mercado de combustíveis.

O índice de preços do diesel avançou aproximadamente 77,8% entre agosto de 2025 e agosto de 2026, de acordo com a AGC.

O combustível possui impacto direto e indireto sobre praticamente toda a cadeia da construção.

Ele é utilizado em:

  • máquinas e equipamentos;
  • transporte de materiais;
  • logística;
  • caminhões;
  • movimentação de cargas;
  • diferentes atividades realizadas dentro dos canteiros.

Por isso, a alta do diesel não afeta apenas as empresas que operam equipamentos pesados.

O aumento também pode ser incorporado ao preço final dos materiais devido ao crescimento dos custos de transporte e distribuição.

Asfalto líquido sobe 16,4%

Outro produto diretamente relacionado ao petróleo também apresentou avanço significativo.

O preço do asfalto líquido ficou aproximadamente 16,4% acima do nível registrado no mesmo período do ano anterior.

O material possui importância principalmente em projetos rodoviários e de infraestrutura.

Dessa forma, a alta pode aumentar os custos de pavimentação e de diferentes obras relacionadas ao transporte.

Quando combustíveis e derivados de petróleo aumentam simultaneamente, a pressão tende a atingir tanto a produção quanto a logística de execução.

Petróleo volta a pressionar custos

Os preços do petróleo bruto avançaram 5,2% apenas em agosto, segundo os dados analisados pela ABC.

Os materiais energéticos não processados também registraram elevação de 1,5% no mês.

A exceção foi o gás natural, que apresentou queda de 11,6% no período.

Mesmo com esse recuo, o comportamento dos demais produtos energéticos mantém a pressão sobre a construção.

Energia e combustíveis são componentes importantes dos custos de fabricação, transporte e operação de máquinas.

Consequentemente, oscilações expressivas nessas categorias podem rapidamente chegar aos canteiros.

Tarifas ampliam pressão sobre produtos metálicos

Além dos custos de energia, o setor também enfrenta impactos associados às tarifas comerciais.

Segundo a AGC, algumas das maiores altas ocorreram justamente entre produtos derivados de metais sujeitos a tarifas de 50%.

A combinação entre tarifas e aumento dos custos internacionais cria um cenário especialmente desafiador para empresas dependentes de aço, alumínio e cobre.

Ken Simonson, economista-chefe da AGC, afirmou que construtoras estão sendo pressionadas por aumentos associados tanto às tarifas quanto aos conflitos internacionais.

Empresas precisam absorver custos enquanto aumentam salários

O cenário ganha uma camada adicional porque os materiais não representam a única pressão enfrentada pelas empresas.

Segundo Simonson, as construtoras também estão aumentando salários para atrair e manter profissionais.

Isso significa que empresas podem enfrentar simultaneamente:

  • materiais mais caros;
  • combustíveis mais caros;
  • aumento do custo de determinados equipamentos;
  • necessidade de reajustes salariais.

Quando esses fatores acontecem ao mesmo tempo, a margem dos contratos pode ser rapidamente reduzida.

Margens das construtoras entram em alerta

A ABC destacou que as empresas ainda demonstram confiança em suas margens, conforme os dados de seu Construction Confidence Index.

No entanto, Anirban Basu alertou que a continuidade da elevação nos preços dos insumos provavelmente terá impacto sobre a rentabilidade nos próximos meses.

Esse risco é particularmente relevante em contratos nos quais os preços foram definidos anteriormente.

Uma empresa pode assumir determinada obra considerando um custo estimado para aço, combustível, cabos ou equipamentos.

Se esses preços aumentarem significativamente durante a execução, o custo real poderá superar aquilo que havia sido previsto no orçamento.

Obras com prazos longos ficam mais expostas

Quanto maior a duração do empreendimento, maior tende a ser a exposição às oscilações.

Um projeto executado durante vários meses ou anos atravessa diferentes ciclos de preços.

Materiais adquiridos na fase inicial podem custar significativamente menos do que os mesmos produtos comprados nas etapas posteriores.

Essa dinâmica aumenta a necessidade de planejamento e de acompanhamento constante dos índices de custos.

Também amplia a importância das estratégias de compras e das negociações com fornecedores.

Aumento dos custos já interfere em decisões de investimento

O problema ultrapassa a rentabilidade das construtoras.

Segundo a AGC, o aumento dos custos está contribuindo para que proprietários e investidores cancelem, adiem ou reduzam a escala de determinados projetos.

Quando o orçamento inicial deixa de refletir o custo real da construção, diferentes alternativas podem ser consideradas.

Alguns empreendimentos são redesenhados.

Outros têm etapas adiadas.

Em determinadas situações, projetos podem deixar de avançar até que exista maior previsibilidade.

Isso demonstra como a inflação dos insumos pode produzir efeitos sobre toda a cadeia.

Pressão pode chegar ao ritmo de novas obras

Se empresas e investidores começarem a revisar projetos com maior frequência, o aumento dos materiais deixa de ser apenas um problema de custos e passa a influenciar o volume de construção.

Obras adiadas significam menor demanda imediata por profissionais, equipamentos e fornecedores.

Projetos reduzidos também diminuem o volume total de materiais consumidos.

Por isso, a evolução dos preços dos insumos é acompanhada de perto por diferentes participantes do mercado.

Planejamento de compras ganha importância

Em cenários de alta de preços, a estratégia de compras torna-se uma ferramenta importante de gestão.

Empresas precisam acompanhar não apenas aquilo que está acontecendo no canteiro, mas também as condições do mercado de materiais.

Antecipar aquisições pode ser interessante em algumas situações.

Em outras, contratos de fornecimento podem oferecer maior previsibilidade.

O desafio está justamente em equilibrar estoque, fluxo de caixa e expectativa de preços.

Comprar antecipadamente exige capital e espaço para armazenamento.

Comprar posteriormente aumenta a exposição a novos reajustes.

Orçamento precisa acompanhar um mercado mais volátil

Outro impacto direto aparece na elaboração dos orçamentos.

Utilizar preços históricos sem considerar o comportamento recente dos materiais pode produzir projeções pouco realistas.

Em um ambiente de alta volatilidade, empresas precisam atualizar constantemente suas referências de custos.

Isso se torna ainda mais importante quando produtos essenciais apresentam variações superiores a 20% ou até 70% em períodos relativamente curtos.

A margem de erro aceitável diminui.

Produtividade passa a ser uma defesa contra aumento de custos

Quando os preços dos materiais não estão sob controle das construtoras, aumentar a eficiência operacional passa a ser uma das alternativas para proteger as margens.

Reduzir desperdícios significa diminuir a quantidade de material necessário.

Reduzir retrabalhos evita consumo adicional de recursos.

Melhorar planejamento diminui paralisações.

Aumentar produtividade ajuda a utilizar melhor mão de obra e equipamentos.

Em outras palavras, quanto mais caros ficam os insumos, maior tende a ser o valor econômico de uma execução eficiente.

Industrialização também ganha importância em cenários de inflação

A elevação dos custos reforça a discussão sobre métodos capazes de melhorar o controle sobre materiais e processos.

Sistemas mais industrializados trabalham com maior padronização e planejamento prévio.

Isso pode facilitar o controle de quantitativos e reduzir determinadas perdas normalmente presentes nos canteiros.

Nesse contexto, industrialização e controle de custos passam a estar cada vez mais relacionados.

O objetivo não é simplesmente substituir um método construtivo por outro, mas encontrar formas de utilizar melhor materiais cada vez mais caros.

Tarifas e conflitos internacionais aumentam incerteza

Os economistas das entidades americanas também relacionam parte da pressão atual a fatores geopolíticos e comerciais.

Basu destacou a recente escalada da disputa comercial com o Canadá e a volta do petróleo para níveis superiores a US$ 100 por barril.

Simonson, por sua vez, apontou tanto conflitos quanto tarifas como elementos responsáveis por pressionar os custos dos materiais.

Isso torna o cenário mais complexo porque parte das variáveis está fora do controle direto das empresas da construção.

Construção passa a lidar com uma combinação de pressões

Os números de agosto mostram que as empresas americanas enfrentam diferentes forças simultaneamente.

De um lado, existe demanda por construção e confiança dos contratantes.

Do outro, materiais importantes apresentam aumentos de dois dígitos.

Combustíveis pressionam a logística.

Tarifas elevam custos de metais.

Salários precisam aumentar para atrair mão de obra.

Essa combinação transforma a gestão financeira dos empreendimentos em um desafio cada vez mais importante.

Principais indicadores apresentados

Os dados mais recentes ajudam a dimensionar o cenário:

  • +8,9% nos preços gerais dos insumos da construção em 12 meses;
  • +8,8% nos insumos da construção não residencial;
  • +1,2% nos preços durante agosto;
  • +5,2% no petróleo bruto no mês;
  • +27,3% em produtos laminados de alumínio no ano;
  • +23,4% em produtos siderúrgicos;
  • +20,9% em produtos de cobre e latão;
  • +16,4% no asfalto líquido;
  • +77,8% no diesel.

Os percentuais mostram que a inflação da construção possui diferentes origens e atinge vários níveis da cadeia produtiva.

Conclusão

Os preços dos insumos da construção nos Estados Unidos estão 8,9% acima do nível registrado há um ano, reforçando um cenário de pressão crescente sobre custos e margens das empresas.

Somente em agosto, os preços avançaram 1,2%, com aumentos espalhados por diversas categorias.

Produtos siderúrgicos subiram 23,4% em 12 meses, itens de alumínio avançaram 27,3%, cobre e latão aumentaram 20,9%, enquanto o diesel apresentou uma expressiva elevação de 77,8%.

A combinação entre energia, tarifas comerciais, metais e custos logísticos cria um ambiente particularmente desafiador para construtoras.

Apesar de as empresas ainda demonstrarem confiança sobre suas perspectivas, os economistas alertam que a escalada dos custos pode reduzir a rentabilidade e já está contribuindo para decisões de cancelar, postergar ou reduzir determinados empreendimentos.

Nesse cenário, controle de custos, planejamento de compras, produtividade e redução de desperdícios ganham importância ainda maior.

Quando empresas não conseguem controlar o preço dos materiais, o caminho passa a ser controlar cada vez melhor a maneira como esses materiais são comprados, planejados e utilizados dentro das obras.

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