A indústria da construção civil norte-americana vive um momento de transformação impulsionado por investimentos históricos em infraestrutura, manufatura e energia. No entanto, esse crescimento também expõe novos desafios relacionados à produtividade, custos, disponibilidade de mão de obra e adoção de tecnologias. É nesse contexto que um novo relatório da PwC reúne sete lições consideradas fundamentais para orientar a evolução do setor, oferecendo uma visão sobre as mudanças que já começam a redefinir a forma como projetos são planejados, executados e gerenciados nos Estados Unidos.
As conclusões do estudo mostram que o crescimento da atividade, por si só, não garante melhores resultados. Para aproveitar o novo ciclo de investimentos, empresas de engenharia e construção precisarão acelerar sua transformação operacional, tecnológica e estratégica.
1. O mercado vive um novo ciclo de investimentos
Segundo a PwC, o volume de contratos de engenharia e construção voltados para projetos nos Estados Unidos registrou forte expansão no segundo semestre de 2025, impulsionado principalmente pelos investimentos em infraestrutura, energia, manufatura e data centers.
Esse movimento cria um ambiente favorável para o setor, mas também aumenta a pressão sobre a capacidade das empresas de entregar projetos dentro dos prazos e orçamentos previstos.
2. Crescer exige muito mais do que conquistar novos contratos
O relatório destaca que o aumento da carteira de obras não elimina os desafios operacionais enfrentados pelas construtoras.
À medida que novos projetos entram em execução, cresce também a necessidade de:
- ampliar a capacidade produtiva;
- melhorar o planejamento das obras;
- fortalecer a gestão de riscos;
- controlar custos com maior precisão;
- aumentar a produtividade das equipes.
Segundo a PwC, empresas que não conseguirem estruturar seus processos poderão enfrentar dificuldades para transformar crescimento em rentabilidade.
3. Tecnologia passa a ser elemento central da competitividade
Outra conclusão importante do estudo é que a transformação digital deixa de ser apenas uma iniciativa de inovação para se tornar um fator estratégico de competitividade.
Ferramentas como:
- inteligência artificial;
- automação;
- análise avançada de dados;
- plataformas digitais de gestão;
- BIM (Building Information Modeling);
devem assumir papel cada vez mais relevante na melhoria da eficiência operacional e na tomada de decisões.
A digitalização permite maior integração entre planejamento, execução e acompanhamento das obras, reduzindo desperdícios e aumentando a previsibilidade dos projetos.
4. Escassez de mão de obra continua pressionando o setor
Mesmo diante do aumento dos investimentos, a disponibilidade de profissionais qualificados permanece como um dos principais desafios da construção civil.
A PwC ressalta que muitas empresas continuam enfrentando dificuldades para contratar trabalhadores especializados, situação que reforça a necessidade de investir em:
- qualificação profissional;
- automação;
- industrialização;
- novos modelos de gestão da força de trabalho.
O relatório aponta que ampliar a produtividade será tão importante quanto ampliar o número de trabalhadores disponíveis.
5. Gestão da cadeia de suprimentos ganha importância estratégica
As interrupções observadas nos últimos anos demonstraram que uma cadeia de suprimentos resiliente é fundamental para garantir o desempenho dos empreendimentos.
O estudo destaca que construtoras vêm buscando fortalecer seus processos de aquisição e logística para reduzir riscos relacionados à disponibilidade de materiais, prazos de entrega e volatilidade de preços.
Maior integração entre fornecedores, planejamento e gestão de estoques tende a aumentar a previsibilidade das obras e minimizar impactos provocados por oscilações do mercado.
6. Sustentabilidade passa a fazer parte da estratégia empresarial
Outro ponto abordado pela PwC é a crescente integração das práticas de sustentabilidade às decisões de negócio.
Mais do que atender exigências regulatórias, empresas do setor passam a considerar fatores ambientais como parte da estratégia de competitividade, incorporando práticas voltadas para:
- eficiência energética;
- redução de emissões;
- melhor utilização de recursos;
- diminuição de desperdícios;
- desenvolvimento de projetos mais sustentáveis.
Segundo o relatório, essa tendência deve ganhar ainda mais força à medida que investidores e clientes aumentam suas exigências relacionadas ao desempenho ambiental dos empreendimentos.
7. Liderança e capacidade de adaptação serão diferenciais competitivos
A última lição apresentada pela PwC destaca que o sucesso das empresas dependerá cada vez mais da capacidade de adaptação às mudanças do mercado.
Em um ambiente caracterizado por rápidas transformações tecnológicas, mudanças regulatórias e novos modelos de contratação, a liderança empresarial terá papel decisivo na condução da inovação e da transformação organizacional.
Empresas mais preparadas para responder rapidamente às mudanças tendem a conquistar vantagens competitivas em um mercado cada vez mais dinâmico.
Construção entra em uma nova fase de transformação
O relatório reforça que a construção civil vive uma mudança estrutural. O crescimento dos investimentos cria oportunidades importantes, mas também exige que empresas modernizem seus processos para atender às novas demandas do mercado.
Digitalização, industrialização, qualificação da mão de obra, fortalecimento da cadeia de suprimentos e práticas sustentáveis deixam de ser iniciativas isoladas e passam a compor uma estratégia integrada de competitividade.
Conclusão
As sete lições apresentadas pela PwC mostram que o futuro da construção civil dependerá menos do volume de investimentos disponíveis e mais da capacidade das empresas de transformar esses recursos em produtividade, eficiência e inovação.
Com investimentos robustos previstos para os próximos anos, a indústria norte-americana tem a oportunidade de acelerar sua modernização. Para isso, será necessário combinar tecnologia, planejamento estratégico, gestão eficiente e desenvolvimento de pessoas, criando um setor mais preparado para enfrentar os desafios de um mercado cada vez mais complexo e competitivo.

